sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

livros e putas: amor verdadeiro


I. Livros e putas podem-se levar para a cama.
II. Livros e putas entrecruzam o tempo. Dominam a noite como o dia e o dia como a noite.
III. Ao ver livros e putas ninguém diz que os minutos lhes são preciosos. Mas quem se deixa envolver mais de perto com eles, só então nota como têm pressa. Fazem contas, enquanto afundamos neles.
IV. Livros e putas têm entre si, desde sempre, um amor infeliz.
V. Livros e putas — cada um deles tem sua espécie de homens que vivem deles e os atormentam. Os livros, os críticos.
VI. Livros e putas em casas públicas — para estudantes.
IX. Livros e putas gostam de voltar as costas quando se expõem.
X. Livros e putas remoçam muito.
XI. Livros e putas — “Velha beata — jovem devassa”. Quantos livros não foram mal reputados, nos quais hoje a juventude deve aprender.
XII. Livros e putas trazem suas rixas diante das pessoas.
XIII. Livros e putas — notas de rodapé são para uns o que são, para as outras, notas de dinheiro na meia.
(Texto de Walter Benjamin, do segundo volume de Rua de Mão Única, Brasiliense, 1993)

domingo, 31 de agosto de 2008

MEU AFETO

Fostes entre as outras
a mais especial.
Uma elucubração de sonhos
Quase uma insensatez.
Sem olhar para trás
dicidiu ficar ao meu lado.
Sem receio, sem medo, sem razão
Um fim de tarde a sorrir.

Me protege, me ajuda...
Estar sempre comigo.

..................................
Meu afeto é a gratidão.

ARQUÉTIPOS

Nessa dor que vira poesia
No seu auge culminante
Alegria no nascer do dia
Lírico pensamento flamejante.

Aurora densa no pulsar
Do sangue que corre nas veias
Miragens confundem meu pensar
Dessa ilusão que me rodeia.

Purgatório do cérebro em desespero
Estado alterado da dor
Minh’alma caminhará primeiro
Entre sonhos, ilusão e amor.

E ao passar de cada dia
A vida corre natural
Em meio à melancolia
Desse dia, desse mal.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O VIAJANTE E SUA SOMBRA

Em qualquer lugar do planeta
Tanto faz se for Nova York,
Paris, Barcelona ou Bangkok.
Seja sozinho ou com pessoas,

Você sempre tem a chance
Você sempre precisa recomeçar.

Viajando sem destino
Conhecendo o Himalaia,
O Vietnã ou o Afeganistão.
Ouvindo o som da escuridão,

Você sempre tem a chance
Você sempre precisa recomeçar.

A vida parece ser surpreendente
E você sente o medo frio do novo.
Novos costumes, novas culturas.
A amplidão do conhecimento.

Você sempre tem a chance
Você sempre precisa recomeçar.

E quando chega a hora de voltar
O vazio ainda não foi preenchido.
A saudade ainda se faz presente
Não acabou! Você pode continuar.

ETERNA MÁGOA

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!
- ALGUSTO DOS ANJOS -

segunda-feira, 7 de julho de 2008

NO DIA SEGUINTE


No dia seguinte
Eu acordei torpedeado
Não acreditava que aquilo aconteceu
Minh’alma estava triste
Por tanto ter me martirizado.

No dia seguinte
Eu havia esquecido
Que eu tinha uma existência
Era tudo tão mórbido
Tão negro, tão obscuro.
Havia tudo acabado.

Havia um buraco em meu ser
Um sopro de angústia percorria minha pele
Eu ali parado. Não percebi ao acordar
Que aquilo era apenas o dia seguinte.

sábado, 14 de junho de 2008

UTOPIA

Sonhando com a felicidade
Em busca do que se quis
Queima-se toda maldade
Sem saber o que fiz.

Segue-se em busca da perfeição
Desdenhando a melancolia
Nas tristes páginas da ilusão,
Onde está nossa nostalgia.

Enquanto a corda clama o seu pescoço,
Você sucumbe pela vida
E procura esperançoso,
A alegria perdida.

AOS QUE SE FORAM

Onde você está?
Sinto-lhe tão perto
Mas, sei que não está aqui.
Sei que você se foi
Porém, não compreendo.

Diga-me como é ai!
O lugar onde você está
Diga para que eu não sinta medo
Para eu não me desesperar.

Onde você está?
Aqui é tudo tão triste
Sei que não vai mais voltar
Também não posso mais te ver
Apenas quero fazer contato
Diga onde você está?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

COMO EVITAR?

Se a lua não tivesse escurecido
Se a poesia não tivesse perdido a rima
E se o dia não trouxesse magoas.

Se o vento não soprasse contra a correnteza
Se os axiomas não fossem contrariados
E se o futuro não perecesse vazio.

Se a noite não fosse tão longa
Se a realidade ainda fosse uma fantasia
E as lágrimas representassem só alegria.

Talvez a história
Não se encontrasse nesse estado
E não chegasse a esse ponto.

UM CORAÇAO


Nessa noite em que o coração
Bate ardente de hipocondria,
Perdido pela paixão
Na ansiedade do próximo dia.

Esse coração tuberculoso
Com câncer, rubéola e leucemia,
Transborda de amor esperançoso
Cego pela miopia.

No intimo do coração epidêmico
Transcende uma face de amor,
Nesse estado de saúde polêmico
Em que a tristeza se perde na dor.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

ALIVIO

Confragimento da aurora
Choro na madrugada
Brando peito que ignora
A face nua espinhada.

Gemidos desesperançoso
Estrela morta decaída
Um grito frio doloroso
Vida frágil coagida.

Certeza na decisão
Enclausurar-se na loucura
Esquecer da efusão
E flutuar nas alturas

sexta-feira, 7 de março de 2008

RESSURREIÇAO


Regozija a alma desse espectro
Oh! Brisa fina complacente
Retira-o sobre tudo o aspecto
Refrigera e liberta sua mente.

Sufoca essa angústia contida
No peito que dilacera
Dar-lhes a paz já perdida
E o faz viver sua quimera.

Priva a vida destes soluços
A iniqüidade por trás da porta
Constrói para ele outros crepúsculos
E ressuscita essa vida morta.

sábado, 19 de janeiro de 2008

SOU UMA MÁQUINA


Você escolheu seu próprio caminho
Eu te deixei livre para seguir
Você quis provar o sabor da diferença
Depois quis voltar e ficar
Porém, já era tarde
Não tenho rancor, "não sou assim"
O tempo já tinha passado
Eu queria outras emoções
E por isso te deixei livre.

O tempo passou rapidamente
Não me arrependo dos meus atos
Tudo havia de ser feito
Foi o destino que agiu
Mecanicamente indiferente.

Hoje estou mais forte, mais consciente
Sem apego, sem dor, sem lembranças
Como uma máquina assentimental....

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O BEIJO


Aquele beijo tinha gosto de desejo
Tinha sabor de vontade.
...um impulso que
foi completamente reprimido.

Aquele beijo trazia a sensação
de estar frente a frente com Deus
ou seria uma deuza?

Era a possibilidade de Ikarus
voar mais alto.
Bem mais alto, mais do que se possa
imaginar.

Seria como uma concretização utópica.
Um devaneio.
Um instante de loucura em que se
desagrega o universo.
Seria a descoberta de um enigma.
Aquele beijo que ele não deu...
Tentou, mas ela não deixou.

NOVEMBER RAIN


Quando olho dentro dos seus olhos
Eu posso perceber um amor reprimido.
Mas, querida, quando te abraço
Você não entende que eu sinto o mesmo?

Porque nada dura para sempre,
E nós dois sabemos que os sentimentos podem mudar.
E é difícil segurar uma vela
Na chuva fria de novembro.

Nós estamos nessa há tanto, tanto tempo
Simplesmente tentando acabar com a dor.
Mas amores sempre vêm e amores sempre vão,
Ninguém realmente tem certeza quem está abandonando, hoje.
Indo embora.

Se nós pudessemos usar o tempo para ajeitar isso
Eu poderia descansar minha cabeça.
Simplesmente por saber que você era minha,
Toda minha.

Assim se você quiser me amar
Então, querida, não se contenha.
Ou eu simplesmente terminarei andando
Na chuva fria de novembro.

Você precisa de um tempo... por conta própria?
Você precisa de um tempo... totalmente sozinha?
Todos precisam de um tempo... por conta própria.
Você não entende que precisa de um tempo... totalmente sozinha?
Eu sei que é difícil manter um coração aberto
Quando mesmo os amigos parecem te prejudicar.
Mas se você pudesse curar um coração partido,
O tempo não pararia para te encantar?

Às vezes eu preciso de um tempo... por conta própria.
Às vezes eu preciso de um tempo... totalmente sozinho.
Todos precisam de um tempo... por conta própria.
Você não entende que precisa de um tempo... totalmente sozinha?

E quando seus temores se acalmarem
E as sombras ainda permanecerem,
Eu sei que você poderá me amar
Quando não sobrar ninguém para culpar.

Então não se preocupe com a escuridão,
Nós ainda podemos encontrar um caminho.
Porque nada dura para sempre,
Nem mesmo a chuva fria de novembro.

Você não acha que precisa de alguém?
Você não acha que precisa de alguém?
Todos precisam de alguém.

Você não é a única,
Você não é a única.

-Guns N' Roses-

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CORAÇÃO MEDIEVO


Esta é uma terra tenebrosa
O medo está por toda parte
Perdi minha espada e meu escudo
Meu cavalo me abandonou.

Os monstros me perseguem
Vivo entre a loucura e a lucidez.
Uma fada me apareceu
Disse para eu lutar comigo mesmo
Suas palavras eram doces
Embriagaram-me. Eu adormeci.

... Esta é uma terra tenebrosa.

APOLOGIA DE IKARUS

Ele só pretende ser livre
Voar, voar e voar
O tempo deteriora o corpo
dá para ver as marcas
As chagas ficam abertas
Só a liberdade alivia a dor.

Ele quer ir onde quiser
Sem se submeter ao tempo e ao espaço
Pode até ser uma quimera
Mas, ele quer chegar lá
Quer provar o sabor
perceber a impotencia do acaso.

Se o tempo o subverte
Já não há nada a fazer
Ele só quer ser livre
Sem medo, sem mordaça, sem descaramento.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

"ELA"

Ela voltou!
Estava ausente
Deu um tempo fora
mas, voltou.

Voltou lânguida,
Voraz e cruel.
Tirendo o sono d'alma
e arrancando a paz
dos sentidos.

Ela voltou!
Sob a forma de uma
patologia psicossomática.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A NOITE


O tempo passa rápido

Logo irá anoitecer

A noite não terá luar

Será escura, sem estrelas.


Talvez o dia...

Não amanheca novamente

Talvez a alegria

Seja mera utopia

Sem sonho, sem vontade

Sem cor, sem fantasia.


.........................


Apenas o escuro

Merencórico, vazio e distorcido.

PESADELO


O hálito quente do dragão
Meu cérebro a ferver derrepente
O vento a soprar sem razão
A unha afiada da serpente.

Dificil acordar de um sonho
Sem saber do que se é capaz
Um processo tão enfadonho
Em uma noite que nao acaba mais.

Sinto-me no cosmo perdido
Longe do próprio "eu"
O tempo e o espaço coagido
Por um axioma que não morreu.

A sentinela da consciência
Não percebeu o movimento
Não vigiou com veemência
A insurreição do meu tormento.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

FAÇA ALGUMA COISA


Se for partir
Não vou me preocupar
Fui incapaz
Se ontem não quis te aceitar.


Fiquei tentado ao jogo de te ver só
Será um prazer perceber que você é bem mais
Quando em paz.


Não andei
No lugar fiquei
Você me ajustou num lugar que me torna invasor
Me encantei por... Seus olhos já não me mantém
Já não sei se é pior com você ou sem.


Quando um jogo era bom
Você nem me evitou
Você nem me evitou
Te pedi pra fingir
Te implorei pra fugir.


Fiquei tentado ao jogo de te ver só
Será um prazer perceber que você é bem mais
Quando em paz.
-GRAM-

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A última reflexão de Nicolas


Chega um momento em que os fatos são relativos. Uma lágrima ou um sorriso representam uma expressão meramente sem sentido, ainda mais se este sorriso for a recordação de um momento enfêmero. Enfêmero mas, saudoso.
Há momentos em que matar ou morrer são sinônimos; a mente auto se transporta para uma dimensão imaginária e o corpo perambula desesperado sem saber o que fazer. Tudo se torna mais complexo quando em uma situação de tédio monótono e desespero, contempla-se a realidade. O que vale mais? O sedentarismo tétrico ou o sicronismo merencórico do vazio? O tempo caminha vagarosamente em direção ao futuro; e este, por sua vez, tornará-se-a o passado sem renegar seu caráter histórico.
Para mim é como se o tempo tivesse parado derrepente e começasse a manipular meu cérebro - que sucumbia de forma incosciente.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

POR QUE?


Por que você não se conforma?
Com a ilusão que se transforma
Por que você ainda olha para trás?

Se a terra gira sem parar
E volta pr'o mesmo lugar
Por que você assim de tudo se desfaz?

Por que você sorriu de mim?
Por que você ficou assim?
Por que você não segue em frente e se vai?

Por que o mundo ainda insiste,
Em complica tudo que existe?
Por que a vida e o instinto me atrai?

Se eu nunca tive algum valor
Se o meu pulmão até sangrou
Por que você ainda olha para mim?

Por que você ainda me ronda?
Por que eu vivo em sua sombra?
Por que é o começo quando tudo chega ao fim?

Por que você tanto demora?
Por que você ficou lá fora?
Como é que eu vou dessa doença me curar?

Por que o tempo aqui parou?
Você passou e nem olhou
Por que você ainda insiste em me chamar?

Por que você sorriu de mim?
Por que você ficou assim?
Por que você não segue em frente e se vai?

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Eu Disse A Ela


Quando eu disse a ela que o amor passou
A cidade levemente flutuou
Ondas amarelas a
Contorno cheia
A cidade simplesmente me odeia
Mesmo sabendo que a vida nos engana,
Mesmo sabendo que a opala não é plana
Mesmo sabendo que a dor cartesiana
Mesmo sabendo que só música baiana
Eu disse a ela que o amor morreu
A cidade sutilmente estremeceu
Bestas e janelas, êxtase no breu
A cidade nos meus dentes tu e eu, tu e eu
Quando eu disse a ela que o amor passou
A cidade levemente flutuou
Ondas amarelas a contorno cheia
A cidade simplesmente me odeia
Eu disse a ela que
Eu disse a ela então
Eu disse a ela que
Eu disse a ela não, disse a ela não
Mesmo sabendo que a vida nos engana
Mesmo sabendo que a opala não é plana
Mesmo sabendo que a dor cartesiana
Mesmo sabendo que só música baiana
Samuel Rosa/chico Amaral